terça-feira, 11 de outubro de 2011

GH E IGF-1: O SEGREDO DA LONGEVIDADE


Um grupo de pessoas habitantes de vilas remotas no Equador possui uma mutação genética que trouxe novos horizontes no que se diz respeito aos estudos relacionados à longevidade humana.
Essas pessoas são portadoras de uma síndrome rara conhecida como Síndrome de Laron. O grupo de aldeões, com 99 pessoas com a síndrome, foi estudado durante o período de 24 anos por Jaime Guevara-Aguirre, um médico equatoriano especializado em diabetes, com participação de Valter Longo, pesquisador da área de envelhecimento da Universidade do Sul da Califórnia.
Os portadores da síndrome possuem uma mutação no gene relacionado à síntese de um receptor para o hormônio do crescimento (GH), o qual não possui as suas oito subunidades da região exterior. Dessa forma, os aldeões possuem disfunção no crescimento, não excedendo 1,10m de altura.

                    Jaime Guevara-Aguirre (atrás, ao centro) com seus pacientes.

Para melhor elucidar os aspectos bioquímicos associados à ação do GH e do IGF-1, a Síndrome de Laron e a senescência, segue a seguir uma descrição dos mecanismos de ação desses hormônios:
O GH é um hormônio relacionado ao crescimento e desenvolvimento, sendo produzido e secretado pela glândula hipófise anterior. O seu mecanismo de ação envolve a ligação a receptores específicos transmembrana, os quais são dimerizados. Após a dimerização do receptor, ocorre a ligação e ativação da tirosina quinase JAK 2, que é responsável pela sinalização celular através da fosforilação de moléculas que se ligam ao DNA e ativam os genes alvo do GH.


O GH induz a ação do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), o qual é sintetizado predominantemente nos hepatócitos. A ação do IGF-1 a nível celular inclui a associação a receptores IGF-R e posterior sinalização celular por meio de proteínas como as da família IRS, AKT, TOR, etc. O IGF-1 é um fator de crescimento e diferenciação, estimulando funções especializadas em tecidos endócrinos, induzindo a expressão de miogenina em células musculares esqueléticas, entre outras funções.


Agora que o nobre leitor já conhece a forma como os hormônios supracitados agem, retomemos o estudo do grupo populacional portador da Síndrome de Laron.
Pois bem, é justamente a deficiência no receptor específico para o GH e os baixos índices de IGF-1 dos portadores da síndrome que podem revelar aspectos extremamente relevantes quanto à longevidade. Um estudo realizado na Universidade de Ohio demonstrou que uma linhagem de camundongos portadora da mesma mutação dos aldeões vive 40% a mais que o esperado. Esse aspecto foi ainda mais evidenciado com a constatação de que o soro dos pacientes com a síndrome apresentou dois efeitos significativos: 1) o soro protegeu as células dos danos genéticos. 2) ele induziu as células que ficaram danificadas a autodestruírem-se, impedindo que estas se tornassem cancerosas. A adição de pequenas quantidades de IGF-1 ao soro promovia anulação de ambos os efeitos.
Sendo assim, a razão para a relação entre os baixos índices de IGF-1 e a longevidade é, possivelmente, o primeiro efeito citado: os baixos níveis séricos desse fator podem proteger as células dos danos genéticos que aceleram o processo de envelhecimento.
Os pesquisadores concluíram ainda que a baixa ação desses hormônios acarreta uma diminuição do risco de doenças tipicamente associadas ao envelhecimento, como câncer e diabetes tipo 2. A diminuição da incidência de câncer está relacionada ao segundo efeito explicitado acima: a autodestruição das células danificadas geneticamente. A diminuição do risco de diabetes relaciona-se ao fato de que os baixos índices de IGF-1 promovem uma maior tolerância à insulina.
Essa descoberta traz, portanto, novos horizontes no que se diz respeito ao conhecimento dos fatores que promovem o processo de envelhecimento e as patologias correlacionadas, bem como o desenvolvimento de novos fármacos que um dia poderão ser “o segredo da longevidade”.

Referências Bibliográficas:

            Escrito por: Matheus de Oliveira Andrade.

domingo, 9 de outubro de 2011

Glicação: carboidratos, proteínas e envelhecimento.


Glicação consiste em uma reação na qual pequenos carboidratos, como a frutose e a glicose, ligam-se covalentemente a um grupo proteico ou a um lipídeo sem a atuação de uma enzima. Diferentemente da glicosilação, a qual a adição de carboidratos a proteínas é controlada por ação enzimática, a glicação é um processo aleatório que prejudica o funcionamento das biomoléculas refletindo o processo de envelhecimento, pois afeta ácidos nucleicos e proteínas, como o colágeno, os quais, quando modificados, podem gerar erros funcionais ou estruturais no organismo.                  
A glicação é uma das primeiras reações em diferentes cadeias de reações complexas, as quais são as reações de base de Schiff, reações de Amadori e reações de Maillard; que levam à formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs), ou seja, os produtos da interação entre o carboidrato e, no caso destacado,  a proteína. A mudança de carga da macromolécula devido à adição de carboidrato produzirá uma nova estrutura que apresentará uma conformação diferente da original, gerando as ligações cruzadas. Exemplos de sítios AGE modificados em proteínas são: carboxymethyllysine (CML), carboxyethyllysine (CEL) e Argpyrimidine .
Pode-se resumir essas reações da seguinte forma: a glucose reage com aminoácidos, peptídeos e grupos amino em proteínas podendo resultar em bases de Schiff, o qual pode resultar em produtos Amadori; a posterior degradação, como desaminação e hidrólise, destas estruturas pode criar produtos secundários,  os quais são semelhantes aos produzidos na oxidação lipídica, com uma reatividade muito semelhante ao de produtos avançados de oxidação lipídica (ALE). Essas modificações estruturais nas moléculas proteicas permitem a formação de  ligações cruzadas, ocorrendo também  polimerização com outros grupos amino de proteínas e ácidos nucleicos formando os AGEs, os quais geram perda quantitativa ou qualitativa das funções originais das estruturas que, quando acumuladas nas células e tecidos, estão associadas ao fenótipo e a doenças relacionados com a idade.
O papel do acúmulo de AGE e da glicação no envelhecimento acelerado pode ser resumidamente pontuado em três aspectos: radicais livres derivados dos intermediários das reações, como peróxido de hidrogênio e outros produtos nocivos, o aumento associado de inflamação crônica e as próprias ligações cruzadas. Além disso, a presença de AGEs em um tecido glicado pode provocar o aumento da produção de radicais livres quando comparado a um tecido não-glicado.
Algumas células do organismo, como células endoteliais, células músculares lisas, células do sistema imunitário, células de órgãos como pulmão, fígado e rim, sofrem um risco adicional devido à presença de AGEs, pois podem apresentar o receptor para produtos finais da glicação avançada (RAGE) que, ao interagir com AGEs, resulta na produção de citocinas que podem induzir a inflamação nos vasos sanguíneos, nervos, fígado e outros tecidos, a qual é comum em indivíduos senis, podendo estar relacionada a uma série de doenças características da idade que podem levar à morte.
A glicação ocorre a uma baixa velocidade, evidenciando o gradativo processo de senescência. Assim, células de vida longa, como células nervosas, e proteínas de longa duração, como colágeno, além do DNA, estão entre as estruturas mais suscetíveis a acumular danos consideráveis durante a vida por causa da presença de AGEs. Esse fato é melhor explicado devido à baixa eliminação de produtos glicados pelos rins, onde o fator de depuração renal dessas substâncias é de apenas 30%; assim, a meia-vida, ou seja o tempo necessário para eliminação de metade da concentração analisada como inicial, de uma macromolécula glicada dentro do corpo é cerca do dobro da vida média de muitas células e implica em maior tempo desses compostos em uma célula com longo tempo de vida. Células de elevada atividade metabólica, como as presentes nos glomérulos renais, as células da retina nos olhos, e as células beta, as quais produzem insulina, no pâncreas também apresentam alto risco de sofrer danos devido ao próprio ritmo metabólico, o qual propicia o surgimento de glicações com maior facilidade.
O organismo conta com a atividade do sistema imune para combater a glicação, pois alguns macrófagos apresentam receptores especiais para AGEs, o que os permite reconhecer estes compostos e fagocitá-los, degradando-os; os compostos resultantes desses processos de degradação são enviados para a corrente sanguínea, onde são filtrados pelos rins e eliminados na urina, algo que levaria muito mais tempo do que se ocorresse sem a prévia quebra desses compostos. Entretanto, com a gradativa queda na atividade ranal e imunológica, níveis de AGEs tendem a aumentar com a idade.
Estão sendo desenvolvidos inibidores de glicação e drogas que quebrem ligações cruzadas geradas por AGEs . Devido ao fato destes estarem relacionados com níveis elevados de açúcar no sangue; assim, uma dieta de restrição calórica também pode reduzir a carga corpórea de AGEs.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sarcopenia
   
   Quando se fala em envelhecimento uma das primeiras imagens que vem à mente é a daquele idoso cada vez mais fragilizado. Essa fragilidade foi caracterizada como uma síndrome, e tem diversas causas, dentre as quais se destacam a degeneração do tecido ósseo e, principalmente, a sarcopenia.
   A sarcopenia está relacionada à redução da massa muscular, entretanto, apesar da sua significativa contribuição para o a síndrome da fragilidade e o crescente número de pessoas sarcopênicas (decorrente do aumento da expectativa de vida), as suas causas ainda não são muito bem conhecidas. Atualmente, a melhor explicação para a gênese da sarcopenia é a de uma complexa interação de diminuição de hormônios, distúrbios de inervação, aumento de mediadores inflamatórios e alterações nutricionais associadas ao envelhecimento.
   Esse declínio de massa muscular pôde ser quantizado a partir de vários métodos utilizados para caracterização da composição corporal, como, por exemplo, ultra-sonografia (US), tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM). Esses métodos possibilitaram uma estimativa de que, a partir dos 40 anos, ocorra perda de 5% de massa muscular a cada década, com acentuação desse declínio após 65 anos.


Nutrição e síntese de proteínas
    A redução da ingestão alimentar é outro fator importante no desenvolvimento e na progressão da sarcopenia. Esta ingestão reduzida pode ser decorrente de várias co-morbidades, como, por exemplo, perda de apetite e redução do olfato e do paladar. Então, uma carência nutricional de proteínas irá reduzir a taxa de proteínas do músculo. O equilíbrio entre síntese e degradação de proteínas musculares será desregulado, com uma prevalência da degradação, culminando na diminuição de massa e força muscular. 


Regeneração
    Outro fator que contribui para a sarcopenia é a diminuição da capacidade do músculo se regenerar após uma lesão ou sobrecarga. A regeneração e o crescimento muscular necessitam do auxílio das células satélites, que são células especializadas localizadas na membrana basal da célula muscular. O número dessas células diminui com o envelhecimento, fornecendo um possível mecanismo para a perda de massa muscular (sarcopenia).


Estímulos anabólicos e estímulos catabólicos
      Nos estímulos anabólicos e catabólicos musculares estão envolvidos, basicamente, alguns hormônios (GH, IGF-1 e testosterona) e citocinas pró-inflamatórias.  O próprio processo de envelhecimento está associado à diminuição dos níveis de GH, IGF-1 e testosterona, que estão envolvidos positivamente com as taxas de síntese proteica muscular e com a manutenção das proteínas musculares, dentre as quais se destacam a actina e a miosina.
           A queda na concentração desses hormônios também está associada ao aumento da liberação de citocinas pró inflamatórias  (TNF-α, IL-1 e IL-6) pelos macrófagos. Essas citocinas podem aumentar  a quebra de proteínas das fibras musculares e estimular a apoptose das células musculares.


Perda de fibras musculares e inervação
   A redução do tamanho e do número de fibras musculares é o resultado da atrofia de cada fibra muscular, influenciando na diminuição de massa muscular. O tipo de fibra atrofiada influencia na determinação da gravidade da sarcopenia, uma vez que as fibras musculares do tipo1 (contração lenta) sofrem menos atrofia associada ao envelhecimento, quando comparadas às fibras do tipo 2 (contração rápida). Além disso, ocorre a denervação de fibras tipo 2 acompanhada pela reinervação de fibras 1 desnervadas.
    As fibras musculares de contração lenta (tipo1) são geralmente associadas a movimentos de longa duração, mas isso não quer dizer que todo idoso, apenas por sua idade, será capaz de correr uma maratona. Isso quer dizer apenas que, por possuir poucas fibras de contração rápida, o idoso não será capaz repostas físicas muito intensas e rápidas.


A lentidão a nível molecular
        Uma característica do envelhecimento é o descompasso entre oxidantes e anti-oxidantes, otimizando o stress oxidativo. Uma das enzimas afetadas por essa situação é a Ca-ATPase, envolvida no processo de contração/relaxamento das fibras musculares. Esse comprometimento da Ca-ATPase, juntamente com a glicação da cabeça da miosina, permite compreender a nível molecular a lentidão de contração/relaxamento muscular do idoso.



   




    Apesar dessa enorme variedade de possíveis gêneses da sarcopenia, as formas de tratamento ainda são bastante escassas. Terapias baseadas em reposição de esteroides sexuais e GH se mostraram pouco eficientes. Os métodos mais eficientes contra a sarcopenia constituem, na realidade, formas de uma prevenção contínua, e são eles: exercícios físicos e suplementação de creatina.
   A prática de exercícios físicos proporciona uma maior aquisição de massa muscular, fundamental para retardar a perda decorrente do próprio envelhecimento e promover menor impacto sobre a qualidade de vida dos idosos. Já o uso da creatina baseia-se no aumento de fosfocreatina no músculo, além de aumentar os níveis de ATP durante o exercício físico, uma vez que a fosfocreatina constitui uma reserva de energia para a rápida regeneração do ATP, em exercícios de elevada intensidade e curta duração.
   Contudo, tanto a suplementação alimentar quanto a prática de exercícios físicos pelos idosos devem ser acompanhados por profissionais especializados nessas respectivas áreas, haja vista o risco de uma suplementação exacerbada e de excessos nos exercícios físicos.








Referências bibliográficas:
http://www.agemais.com.br/wiki/index.php?title=For%C3%A7a_Muscular_e_Envelhecimento
http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/999/1409
http://www.unm.edu/~lkravitz/Article%20folder/sarcopenia.html
http://www.efdeportes.com/efd154/suplementacao-de-creatina-na-prevencao-da-sarcopenia.htm
http://www.scielo.br/pdf/rbr/v46n6/06.pdf


Escrito por: Luís Fernando Amarante Fernandes

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O DIABETES E A DISFUNÇÃO COGNITIVA
A população mundial está envelhecendo e com isso, doenças crônicas, como o diabetes mellitus, e aquelas ligadas à degeneração cognitiva, como as demências, serão mais prevalentes. Nesse cenário, estudos vêm encontrando associação entre a presença do diabetes e a manifestação de síndromes geriátricas aumentando o risco de queda, fraturas e alterações cognitivas em idosos. Sabe-se que disfunções cognitivas podem ocorrer em virtude do comprometimento vascular, formação de placas de neurofibrilas e alterações no metabolismo da glicose. Qual seria o elo entre as alterações metabólicas do diabetes e a disfunção cognitiva?
A insulina é o principal hormônio que regula a quantidade de glicose absorvida pela maioria das células a partir do sangue e é degradado pela enzima degradadora de insulina. No diabetes mellitus tipo dois ocorre uma diminuição da resposta dos receptores de glicose presentes no tecido periférico, levando ao processo de resistência à insulina. Devido a essa resistência, as células beta do pâncreas, localizadas nas ilhotas de Langerhans, promovem uma medida compensatória, aumentando a produção de insulina gerando a hiperinsulinemia.
β-amilóide é uma proteína solúvel degradada pela neprisilina e também pela enzima degradadora de insulina, além de poder ser removida pela micróglia. A alta concentração de β-amilóide é constantemente associada à degeneração cognitiva. Na Doença de Alzheimer, por exemplo, é observada a formação de placas de neurofibrilas no sistema nervoso central (SNC) por aumento da concentração cerebral da proteína β-amilóide que, além disso, pode causar toxicidade neural, quando sofre alterações e se torna menos solúvel, e aumentar o número de receptores dos produtos avançados finais de glicação, aumentando o estresse oxidativo e acarretando conseqüente dano celular. Esses produtos avançados finais de glicação no diabetes mellitus resultam da interação da glicose com diversas outras moléculas de proteínas e lipídios. Promovem danos em tecido vascular, no DNA e nas mitocôndrias cerebrais, ampliam a resposta inflamatória e aumentam a concentração de radicais livres. Além desses efeitos, favorecem a formação de placas β-amilóide e neurofibrilas, processos relacionados à fisiopatologia das demências.
Esse acúmulo da proteína β-amilóide pode ocorrer por um  aumento na sua produção ou por alguma deficiência na sua retirada do sistema nervoso central. A enzima degradadora de insulina, no interior de neurônios e micróglias, degrada tanto insulina quanto a proteína β-amilóide. Sendo assim em casos de hiperinsulinemia causada pela resistência à insulina, haverá uma competição entre a insulina e a β-amilóide pela enzima degradadora de insulina, o que acarretará prejuízos à remoção da substância β-amilóide do sistema nervoso central.
Com base no exposto acima, diversos estudos têm investido na prevenção e controle da disfunção cognitiva por meio do melhor controle do diabetes através da combinação de dieta, exercícios físicos e perda de peso.

Escrito por: Amanda Costa Pinto

Fontes:
http://www.medicinageriatrica.com.br/2008/07/01/insulina-producao-e-acoes/
http://mundoasistencial.com/la-beta-amiloide-es-esencial-para-el-cerebro/
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/diabetes/diadetes-mellitus1.php

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Particularidades dos remédios no corpo senil

O processo de envelhecimento causa alterações fisiológicas que tornam a população da terceira idade mais vulnerável aos efeitos de medicamentos. Nesses casos, há mudanças nos fatores farmacocinéticos e farmacodinâmicos.


O que é a farmacocinética?
É a análise quantitativa da ação de uma droga em função do tempo. É observada a absorção, a distribuição, o  metabolismo e a excreção medicamentosa.


Alterações farmacocinéticas na velhice:
·         Absorção:
Devido ao aumento de pH gástrico em idosos, há interferência na ionização e solubilidade de algumas substâncias ativas. A absorção também fica comprometida pela redução da superfície da mucosa gastrointestinal e pela diminuição de seu fluxo sanguíneo. Mas como o esvaziamento gástrico se torna mais lento, o tempo de absorção pode ser prolongado e a degradação de medicamentos secundária à ação do ácido clorídrico pode ser aumentada. Além disso, a absorção de medicamentos fracamente ácidos é reduzida.

·         Distribuição:
A porcentagem de tecido adiposo no peso corporal de um idoso aumenta de 15% para 30%, além disso, a quantidade de água intracelular decresce cerca em 20%. Substâncias lipossolúveis – benzodiazepínicos, barbitúricos e fenitoína, por exemplo – têm seus tempos de ação e meia-vidas aumentados por se depositarem e serem liberados mais lentamente pelo tecido adiposo. Já as hidrossolúveis têm sua distribuição prejudicada e sua concentração plasmática elevada, potencializando seus efeitos. Consequentemente, o idoso passa a tomar doses maiores de medicamentos lipossolúveis e doses menores de hidrossolúveis. Somado a isso, há variações na concentração de proteínas plasmáticas transportadoras de fármacos: a concentração sérica de albumina se reduz e a de glicoproteína ácida alfa-1 aumenta. A albumina é responsável pelo tamponamento de fármacos ácidos e a glicoproteína ácida alfa-1, de fármacos básicos. Essas variações são capazes de resultar em toxicidade medicamentosa.

·         Metabolismo:
Também conhecido por biotransformação é caracterizado por transformar medicamentos em metabólitos por meio do fígado. No entanto, esse órgão em idosos tem menor massa, peso e volume se comparado ao de um jovem. Além disso, os fluxos sanguíneos hepático e esplâncnico são reduzidos em indivíduos da terceira idade, diminuindo o metabolismo de fármacos fluxo-dependentes. Assim, acentua-se a concentração sérica dos medicamentos e seus efeitos farmacológicos. Duas fases dividem a biotransformação. A fase I é a ativação ou inativação de fármacos (hidroxilação, dealquilação, oxidação, redução e hidrólise). A fase II (conjugação e glucoronação) estabelece os graus de polaridade e hidrossolubilidade da substância que auxiliarão na sua eliminação. O processo de envelhecimento altera a fase I, diminuindo sua ação, o que provoca um aumento da meia-vida de fármacos metabolizados por essa fase.

·         Excreção:
Prejuízos na função renal de um idoso também acarreta no reajuste de doses medicamentosas, principalmente, em fármacos de meia-vida longa que podem se acumular no organismo. Recomenda-se o ajuste da dosagem pelo Clearance de creatinina ou por meio de fórmulas como de Cockroft e Gault:
Fórmula de Cockroft – Gault
Clearance de creatinina = (140 – idade) x Peso x (0,8 sexo feminino)
                                                 Creat.plasma x 72

A creatinina é uma substância sem função para o organismo resultado da degradação da creatina no músculo. Se sua concentração sanguínea estiver alta, significa que o rim não está funcionando direito.


            E, o que é farmacodinâmica?
            A farmacodinâmica é a análise de como cada medicamento irá afetar o organismo.
As modificações farmacodinâmicas são verificadas pela medida, intensidade, determinação do tipo e duração do efeito de uma certa concentração do fármaco em seu local de atuação. Com a senescência esses fatores são modificados pela alteração da afinidade entre o medicamento e seu receptor celular.
As sensibilidades de receptores beta-adrenérgicos e barorreceptores são reduzidas, provocando um maior risco de hipotensão postural. Já nos receptores alfa-adrenérgicos ocorre o inverso, pois sua sensibilidade é aumentada acentuando os efeitos de fármacos como a fenilefrina e clonidina. E as alterações em receptores colinérgicos são capazes de favorecer a afinidade com benzodiazepínicos, dificultar a termorregulação, aumentar a intolerância à glicose, provocar queda da capacidade cognitiva e diminuir a resposta imune.


Baldoni, A.O.; Pereira, L.R.L.; Estudo de utilização de medicamentos em idosos atendidos pelo Sistema Único de Saúde ( SUS). 2010. 133f. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2010.
Lopes, A.C.; Tratado de clínica médica – volume III. 2° edição. São Paulo: Editora Roca, 2009. Capítulo 420, páginas 4413 – 4415.


Escrito por: Larissa Naomi Lima Akamine

sábado, 1 de outubro de 2011

Feliz dia do idoso!!!

   O dia do idoso, no Brasil, desde 2007, é celebrado no dia 10 de outubro. Essa data foi criada em 1999 (e comemorada até 2006 no dia 27 de setembro) com o intuito de reconhecer a valorosa contribuição dos idosos para o desenvolvimento da sociedade. Porém, mesmo com o crescente número de pesquisas que confirmam essa contribuição, os idosos ainda são desrespeitados e têm seus direitos violados.











  Um trabalho de Rachel Caspary ( Professora de antropologia da Central Michigan University, com uma linha de pesquisa centrada na evolução da longevidade), recentemente divulgado pela Scientific American Brasil (edição 112-Setembro 2011), indica que pessoas com idade de avós se tornaram comuns há pouco tempo, mais especificamente na pré-história humana, e essa transformação coincidiu com mudanças culturais bastante significativas, como dependência da comunicação baseadas em símbolos sofisticados, como os que sustentam a linguagem e a arte.
  Nesse estudo, a idade de fósseis de populações primitivas foi estimada a partir de tomografias computadorizadas tridimensionais, em que o grau de desgaste dos dentes molares indicava em que faixa etária aquele fóssil se encontrava. Após confirmar a longevidade de espécies com maior número de indivíduos mais velhos, restava saber se isso se devia a alterações simplesmente anatômicas ou se alterações culturais também estavam envolvidas. Quando comparado o número de indivíduos mais longevos em populações que viviam sob condições climáticas favoráveis e as que viviam sob condições mais adversas, o maior número de indivíduos maduros nesta comprovou a influência cultural. Como Kristen Hawkes, da University of Utah, Hillard Kaplan, da University of New Mexico, e outros mostraram em seus estudos sobre diversos grupos modernos de caçadores-coletores, os avós geralmente contribuem com recursos econômicos e sociais com os parentes, aumentando tanto o numero de descendentes que seus filhos podem ter quanto a sobrevivência de seus netos. Os avós também reforçam conexões sociais complexas. Dessa forma, ficou comprovado o papel significativo dos indivíduos mais velhos no sucesso evolutivo da humanidade


  O significativo papel dos idosos não ficou restrito à pré-história. Ao longo da história da humanidade surgiram aqueles que, mesmo sem o controle mental, convenceram nações e, mesmo sem serem os senhores do magnetismo, levantaram cidades. E, claro, não podemos nos esquecer de nossos avós, que, fazendo biscoito, contando histórias ou por simplesmente existirem, tornam nossos dias melhores.








"Vida longa e próspera"(Dr.Spock)


Referências bibliográficas:
Imagens:
 Vídeo:                                                                         
http://www.youtube.com/watch?v=Uw2DFCnjKbQ&noredirect=1